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domingo, 13 de setembro de 2015

DO TEMPO DO IMPÉRIO

     Revirando os papeis antigos que minha mãe deixou, encontrei partes da antiga escritura do terreno que meu pai João Damasceno do Carmo herdou do meu avô José Muniz do Carmo, que por sua vez herdou do meu bisavô Manoel José do Carmo. Esse terreno situa-se à margem direita do Rio Capim, subindo o rio, e denomina-se "Vale de Lágrimas"
      Esse documento é uma relíquia, embora o terreno não seja mais nosso, pois foi vendido, depois que meu pai morreu. Digo isso, porque meu bisavô comprou essas terras no dia 26 de janeiro de 1870, de um coronel chamado Calisto Furtado, no tempo em que o Brasil era Império, época dos coronéis; e São Domingos do Capim era apenas uma freguesia, denominada de São Domingos da Boa Vista. A Negociação se deu no Cartório de Sant' Ana do Capim, mas a escritura só foi lavrada em abril de 1892, na sala da Intendência Municipal, quase três anos após a proclamação da República. O referido documento reza que essa escritura se acha lançada nas folhas de nº 87 e 89 do 4º livro do Cartório de notas. Meu bisavô comprou essas terras por dois contos de reis, moeda da época. Nessa época o Tabelião era o irmão do meu avô,  Narciso José do Carmo, Alferes da Guarda Nacional
        Lendo o texto da escritura, cheguei a conclusão que meu bisavô não foi escravo, pois escravo não podia comprar terras, mesmo que fosse alforriado pelo seu senhor, não tinham recursos para tal negociação. Meu bisavô não foi escravo nem escravizou ninguém, ele foi um homem trabalhador, honrado, assim como meu avô e meu pai, lavradores de suas próprias terras e que sustentaram suas famílias com o suor do seu trabalho. Isso muito me honra.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

TRANSFERÊNCIA DA SEDE DO MUNICÍPIO


Em 21 de agosto de 1976, o Prefeito Carlos Gomes de Araújo, juntamente com o governador do Estado, Dr. Aloysio da Costa Chaves fizeram o lançamento da Pedra fundamental da nova sede do município, no km 88 da Belém Brasília.

Segundo o Sr. Pedro Sodré, O projeto de transferência foi desenvolvido e apoiado pela SUDAM, Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, como uma estratégia política para não perder a Vila de Ipixuna e outros distritos. Ele afirma que, em função da transferência, ruas foram abertas de acordo com a planta arquitetônica da nova cidade, assim também, foi construída uma unidade de saúde toda equipada, que na verdade, era para ser feita na sede, mas que, em função do projeto de transferência, foi construída no novo local.

O Sr. Isaac José de Araújo Carmo, que na época era funcionário da Prefeitura, afirmou que houve duas grandes motivações para que o prefeito quisesse transferir a sede do município para o km 88. A primeira era a ameaça que a pororoca representava para a cidade, pois causava uma erosão muito grande, haja vista que a pororoca de 30, 40 anos atrás era muito forte. A segunda motivação era que a nova sede ficaria centralizada, o que facilitaria a comunicação entre sede e distritos, e o acesso dos munícipes para resolverem suas questões. No seu entendimento, o mérito do projeto era muito bom, mas não foi pra frente em virtude da população não entender, e por conseqüência não dar o devido apoio, por outro lado, o mandato do governante que tinha essa visão terminou, e o seu sucessor não deu continuidade ao projeto, sem contar que a maioria da população foi tomada por um sentimento de extremo apego e amor pela cidade, pelo rio, e não queria de jeito nenhum que a sede passasse pra outro local. . Hoje, só restam as ruínas do prédio, que não foi aproveitado para nada. O Sr. Ubaldo pontes de Almeida e a Professora Zilda Carmo são testemunhas, pois eram eles que guardavam o molho de chaves da unidade de saúde,
Entendo que, se o projeto de transferência tivesse sido concluído, não tenho dúvida de que o nosso município teria desenvolvido mais: não teríamos perdido Ipixuna, mas, e o nosso rio? Não poderíamos transportá-lo pra lá. As nossas tardes, com certeza, não seriam as mesmas, não para quem nasceu e se criou aqui, vendo os moleques tomando banho, andando de canoa; vendo o movimento dos barcos no trapiche municipal. Não, não seria a mesma coisa, e sabe o que mais? Como dizia minha saudosa mãe: “vão-se os anéis e fiquem os dedos".

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ABERTURA DA PA - 127 KM

       


        Em 1930, Getúlio Vargas deu um golpe político e tomou o poder do candidato eleito, Júlio Prestes, no episódio denominado de "Revolução"de 30. Logo que assumiu a presidência da República, uma de suas primeiras medidas foi depor do cargo todos os governadores dos estados, e nomear interventores de sua inteira confiança para substituí-los.
        No Pará, foi nomeado o Tenente Joaquim Manoel Barata, que por sua vez adotou medidas semelhantes com as de Vargas, tendo nomeado para interventor de São Domingos do Capim, o Sargento Maltês, que, segundo o Mestre Mundinho, mandou abrir as primeiras ruas da cidade. Já a PA -127 Km foi iniciada no governo do primeiro prefeito constitucional - o Tenente João Evangelista de Carvalho Camarão - eleito em 30 de novembro de 1935. Ele mandou abrir três picos: um para o Jabuti-cacá; outro, para Sant'Ana do Capim e outro para o Jacundaí, mas não deram certo, somente em 1940, na gestão de seu filho - Raimundo Magno Camarão - os trabalhos da estrada foram continuados. Toras de madeira foram colocadas nos picos abertos.
           Segundo informação do Sr. Pedro Marinho, no ano de 1945, no governo de Pascoal Bailão da Fonseca, foi dado prosseguimento na estrada até a Vila de Perseverança, que nessa época era conhecida como "Braço Grande".  O trabalho de conclusão da abertura da PA -127 se estendeu até a década de 60, quando foi continuado o pico de Perseverança até o km 21 da Rodovia Belém Brasília, que foi aberta nessa década, no governo de Juscelino Kubitschek, com a finalidade de integrar a região Norte às demais regiões do país.
            O Sr. Manoel Joaquim (74 anos), mais conhecido como Picoró, relatou que chegou na cidade em 1963, e ainda trabalhou na abertura da estrada e dos outros picos, juntamente com outros companheiros como: Vera-cruz, era o mecânico das máquinas;  Cícero, o motorista;  Álvaro, mais conhecido como Avico, motorista;  José Inocêncio, conhecido como Birico; . Pacheco, capataz; Faustino, Nagiba, e outros. Segundo ele, todos os trabalhos de abertura dos picos e da estrada, foram braçais.
             Hoje, quase ninguém mais se lembra desses homens, mas eles contribuíram com o nosso município, com sua força de trabalho, numa época em que era tudo difícil. Eles, também, fazem parte da história do nosso município.



quarta-feira, 30 de abril de 2014

ORIGEM DA ESCOLA DR. MAROJA NETO

                



                Segundo informações de algumas professoras da época em que a escola foi fundada em São Domingos do Capim, no início da década de 50 havia apenas uma sala de aula, ao lado da antiga prefeitura municipal, onde funcionava uma turma multiseriada, na responsabilidade da Professora Anita Sodré. No governo do Prefeito Cipriano Rodrigues das Chagas (1951-1955) foi construída uma escola (onde atualmente é o FORUM), a qual foi denominada Adélia de Carvalho Sodré, em homenagem a mãe da Professora Anita Sodré. No segundo mandato de Cipriano (1959 – 1962), pelo Decreto de nº 2.864, de 13 d3 abril de 1959, a referida escola passou a denominar-se de “Grupo escolar Dr. Maroja Neto, em homenagem a um magistrado e grande político que lutou para que São Domingos do Capim alcançasse um bom desenvolvimento.
No governo do Prefeito Julio Gomes de Araújo (1963 – 1966), foram construídas duas salas de aula, situadas na PA – 127, esquina com a Rua Magalhães Barata, anexas do Grupo escolar Dr. Maroja Neto.
Em 1972, no primeiro mandato do Prefeito Cândido Nascimento de Oliveira, foi construído um bloco com cinco salas de aula, uma diretoria, uma secretaria com banheiro para os funcionários, uma copa e quatro banheiros. No seu segundo mandato (1977 – 1982) foi construído e inaugurado o segundo bloco com mais cinco salas.
Na administração do Prefeito Manoel Urbano da Luz (1983-1989) foi construído um salão nobre, mas pelo aumento da demanda estudantil, houve a necessidade de dividi-lo ao meio para fazer duas salas de aula. Ainda na década de 80 foi construída a quadra de esportes.
Em 2001 foi construída a Biblioteca da escola, na gestão da Diretora Ana Lúcia Prestes Bastos. No ano de 2006 foi construída a sala de informática.
DIRETORES QUE ADMINISTRARAM A ESCOLA
Ø   MARIA LOURDES SODRÉ;
Ø  IRMÃ DERÁLIA FERREIRA ALVES;
Ø  IRMÃ MARIA DE JESUS SOARES PINHEIRO;
Ø  Dra. MARTA INÊS ANTUNES;
Ø  PROFESSORA FÁTIMA BLANCO MOTA;
Ø  PROFESSORA MARIA DA CONSOLAÇÃO GOMES DE CARVALHO;
Ø  PROFESSORA FRANCISCA DO Ó MARINHO CARVALHO;
Ø  PROFESSORA MARIA TEREZINHA DA LUZ FERREIRA;
Ø  PROFESSORA MARIA IRENE DE SOUZA REIS;
Ø  PROFESSORA ANA LÚCIA PRESTES BASTOS;
Ø  PROFESSORA DARCILENE TRINDADE CORREA;
Ø  PROFESSORA MARIA LÚCIA CARMO DO AMARAL;
Ø  PROFESSORA JOSIANY DE CÁSSIA NUNES SODRÉ.
Atualmente está na administração da escola a Professora IZABEL DOS SANTOS OLIVEIRA


SISTEMA DE ENSINO

·         DÉCADA DE 50 A 60 – ENSINO PRIMÁRIO: do 1º AO 5º ANO – regulamentado pela Lei orgânica do Ensino Primário N.8.529, de 02 de janeiro de 1946. Uma das finalidades do curso primário era proporcionar a iniciação cultural que a todos conduza ao conhecimento da vida nacional, e ao exercício de virtudes morais e cívicas.
·         DÉCADA DE 70 – IMPLANTAÇÃO DO ENSINO DE 1º GRAU: 6ª A 8ª SÉRIES – Regulamentado pela LDB 5.692/71 de 11 de agosto, durante o Regime Militar, pelo Presidente Emílio Garrastazu Médice. O ensino era organizado em 1º e 2º Grau. Os método de ensino consistia em transmissão e recepção de informação.
·         DÉCADA DE 80 – IMPLANTAÇÃO DO SOME – SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO MODULAR DE ENSINO: CURSO DE MAGISTÉRIO.
·         1998 – IMPLANTAÇÃO DO ENSINO MÉDIO REGULAR.

No ano de 1988, já havia um número significativo de professores formados a nível superior, e outros estavam cursando, inclusive a diretora, na época, Professora Ana Lúcia Prestes Bastos cursava Sociologia no Campus da UFPA, em Castanhal, acreditou que já era possível implantar o Ensino Médio Regular, haja vista que o SOME só ficaria no município até que houvesse profissionais para assumir o Ensino Médio Regular. E assim foi feito, a SEDUC autorizou  a documentação dos professores que ainda estavam cursando, e então foi implantado o Ensino Médio Regular, na escola. Mas houve resistência por parte de um grupinho de pessoas que não acreditavam que os professores do lugar tinham capacidade para lecionar a nível médio, mas mesmo assim, encaramos o desafio, e ao final do terceiro ano, o resultado de aprovação no vestibular de 2000 provou o contrário do que nossos oposicionistas pensavam a nosso respeito, pois a maioria dos alunos que se inscreveu, foi aprovada, e hoje são nossas colegas de trabalho, concursadas, atuando em outros municípios.

EVENTOS REALIZADOS NA ESCOLA
ü  ENCONTRO FAMILIAR – mês de maio;
ü  SEMANA LITERÁRIA – mês de maio
ü  FESTA JUNINA;
ü  GINCANA FOLCLÓRICA – mês de agosto;
ü  JOGOS INTERNOS – Mês de setembro;
ü  FECIART – FEIRA DE CIÊNCIAS E ARTES – mês de novembro.


COMO ERA A ESCOLA?

A escola Dr. Maroja Neto não era diferente das outras  escolas dessa época, década de 50, 60, 70, pois seguam quase sempre as mesmas normas:
·         Formar fila no pátio da escola para rezar, e cantar o hino nacional. Cada dia era cantado um hino (Nacional, do Pará, da Bandeira, da independência, do Brasil)
·         Não era permitida a entrada de alunos sem o uniforme completo (calça comprida de tecido azul marinho, para os meninos, e saia pregueada  para as meninas,  blusa branca de tecido, com emblema do município no bolso, meias brancas e sapatos pretos.
Os professores eram vistos como segundos pais, e, portanto, tinham autoridade dentro e fora da escola, pois os pais passavam essa autoridade para os mesmos. Os alunos pediam bênção para os professores. Era a época dos castigos do tipo bolo na mão, se errasse o resultado da tabuada; ficar de braços abertos na parede; ajoelhado num canto da sala.
Na década de 70, as disciplinas ensinadas no 1º Grau eram: Português, matemática, Geografia, História, Francês, Técnicas comerciais, técnicas agrícolas, Educação para o lar, Ensino Religioso, Educação Física, Educação artística e Redação

Na década de 70, a escola já funcionava no novo endereço – Rua Magalhães Barata. Era coberta com telha brasilit. No pátio ficavam dois potes com água, para que os alunos matassem a sede. A merenda era feita à lenha, quase sempre mingau de fubá, quibe e leite da América ( o famoso leite peidão).
Lembramos que, as primeiras serventes tinham bastante trabalho, pois partiam lenha e carregavam água do rio, e aí lembramos de algumas dessas guerreiras, como a Saudosa dona Antonina; Senhora Maria Rosa; Senhora Raimunda Nascimento, conhecida como Diquinha.

PROBLEMAS
v  ALAGAMENTO

A Escola Dr. Maroja Neto, ao longo desses anos enfrenta várias dificuldades, principalmente no que se refere a sua construção, pois o nível do piso ficou abaixo do nível da rua, e durante o inverno, com as chuvas e as marés altas, toda a escola sofre, muitas vezes, é preciso dispensar as turmas, pois algumas salas ficam alagadas.
v  REFORMA NÃO CONCLUÍDA

Em novembro de 2010, foi iniciada mais uma reforma, que além de não solucionar o problema de alagamento, ainda teve o diferencial de não ter sido concluída, faltando o piso de algumas salas; a pracinha que estava no projeto e não foi concluída; o pátio, que foi todo furado para receber cerâmica, o que não foi feito. A atual já enviou vários ofícios solicitando a conclusão, e ate já esteve em audiência na SEDUC, e até agora, nada feito.
v  FALTA DE PESSOAL DE APOIO
Em decorrência da demanda de alunos que aumenta a cada ano, o número de funcionários do quadro de apoio não está sendo compatível com a carga de trabalho, o que faz com que escola e funcionários fiquem sacrificados. Faltam mais vigias, porteiros, merendeiras, serventes e auxiliares de secretaria.
v  FALTA DE CANTINA
O fato de não existir uma cantina, na escola faz com que muitos alunos que não gostam da merenda oferecida, saiam para comprar nas vendas que ficam fora, o que é extremamente perigoso para os mesmos, devido o constante trafego de motos e carros, sem falar de outros tipos de perigos.


MELHORIAS E CONQUISTAS

Ao longo desses anos, muita coisa mudou pra melhor. O telhado não é mais coberto com telhas brasilit; ao invés de potes com água, temos bebedouros com água gelada e filtrada; as salas são forradas; os pais não precisam mais comprar livros didáticos para os filhos, pois a escola dispõe de livros de todas as disciplinas, tanto para o Fundamental, como para o Médio. Houve um avanço tecnológico, pois a escola, agora dispõe de computadores, data show; caixa amplificada, quadros magnéticos, e outros.
A maioria dos professores que compõem o quadro é do município, isso foi uma das maiores conquistas.
A mais recente, foi a Rádio na escola, o que ira contribuir para melhorar a comunicação no ambiente escolar e incentivar os alunos a participarem mais das atividades escolares, assim como a melhorar a escrita e a leitura, e incentivar a pesquisa e a produção de texto.

Por essas e por outras conquistas, a Nossa querida Escola Dr. Maroja Neto está de parabéns pelos seus 55 anos de história na tarefa de Educar gerações.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

MUITAS PROMESSAS X POUCAS CONQUISTAS



          O nosso município completa, hoje, cento e vinte e três anos de emancipação política. Pelo Decreto de nº 237 de 09 de dezembro de 1890, ele ficou independente do município de Belém. O Governo do Estado do Pará nomeou com intendente municipal o Sr. Hilário A. Barros da Silva, mas o primeiro prefeito constitucional foi o Tenente João Evangelista de Carvalho, eleito em 30 de novembro de 1935 e empossado em 15 de fevereiro de 1936, na época do Presidente Getúlio Vargas.
        Nosso município tem história, participou de uma revolta muito importante que foi a Revolta da Cabanagem, ainda no período regencial, e quando ele era apenas uma freguesia. Eu fico pensando, como aqueles caboclos eram corajosos e entendiam que era preciso união e luta para se conquistar os objetivos. Todos já morreram, mas eles não viveram em vão, não foram covardes como muitos de nós somos. Eles fizeram história e deixaram seu nome na história, e ninguém pode apagar isso. E nós, o que estamos fazendo pra ter uma cidade melhor, para deixarmos um município melhor para nossos filhos e netos, eu estou falando de nós que nascemos, crescemos e que amamos esse lugar, o que estamos fazendo???
            É claro que conseguímos algumas poucas conquistas, e eu digo poucas porque nosso município tá bem velhinho em relação aos que se emanciparam praticamente, ontem, já conseguiram avançar bem mais que o nosso, e quem viaja e anda por aí, nos arredores, sabe do que eu estou falando. Só pra ilustrar o que estou dizendo, a nossa cidade ainda não conquistou, ou mereceu do Governo do Estado nem ao menos uma escola de Ensino Médio. Ficamos só acreditando nas promessa de época de campanha política, quando eles prometem tudo, mas depois que passa a eleição, eles ficam arranjando desculpas esfarrapadas de que não podem, porque a arrecadação do estado é baixa, porque o orçamento, porque isso, porque aquilo. Tudo conversa pra boi dormir, como dizia minha saudosa mãe.
          Se colocarmos numa balança, qual será o lado que vai pesar mais: o das conquistas, ou o das perdas?
Perdemos tanta coisa, que eu nem vou enumerá-las neste texto, mas vou citar apenas algumas: Perdemos a liberdade de andar despreocupados pelas ruas da nossa cidade, pois podemos ser assaltados a qualquer hora, e até mesmo dentro das nossas casas não estamos seguros, pois como se não bastasse os ladrões daqui, ainda tem os de fora que vem se esconder, exatamente por saberem que aqui eles podem estar a vontade. Perdemos, também o bom senso de nos unirmos, independente de partido político, para exigirmos o que é de direito e cobrarmos das nossas autoridades que eles desempenhem o seu papel; precisamos combater o que está errado. Nossa cidade só incha, não desenvolve, pois entendo que onde não há geração de emprego não há desenvolvimento. Enquanto não houver preocupação com uma educação que não aconteça apenas dentro das escolas, mas fora delas, ou seja, nas ruas, não haverá progresso. E por falar em educação, é preciso que as nossas autoridades se preocupem em desenvolver uma política de educação para o trânsito, pois, sinceramente, eu acho que em Bangladesh o trânsito é mais organizado do que em São Domingos. Aí, alguém pode ler esse texto e dizer: mas a responsabilidade de ensinar é das escolas. Claro que é ensinado alguma coisa sobre isso, mas é preciso que sejam criadas as leis municipais e que se garanta que elas sejam cumpridas, e eu pergunto de quem é essa responsabilidade?
          Em relação aos carros e bicicletas que fazem propaganda, é um absurdo. Eles colocam o som no último volume, e não hora pra  terminar, é comum ver alguns até tarde da noite anunciando festa. Outros param nas esquinas em horário inapropriado, perto de escolas e outros órgãos públicos, e lá ficam falando tudo que lhe vem a cabeça. Creio que eles deveriam passar por um treinamento, ter conhecimento da lei, para saberem que o direito deles termina onde começa o do outro. Eu fico pensando por que as nossas autoridades, que foram eleitas para nos representar não enxergam esses absurdos, ou vai ver que enxergam, mas, como diz o ditado, não querem se queimar. Ainda tem os proprietários de moto, que tiram o silenciador para, além de perturbar o sossego alheio, se fazerem notar quando passam pelas ruas. Será que a maioria das pessoas acham que isso se enquadra dentro da normalidade? Ou será que eu é que não sou "normal"? É de endoidecer! E o pior que não se ouve nem falar em PLANO DIRETOR da cidade, em CÓDIGO DE POSTURA da cidade, só se ouve falar de picuinhas. Eu tenho uma forte impressão de que se aparecer alguém e fazer um chiqueiro pra criar porcos no meio da praça, não vai aparecer ninguém pra dizer que está errado, talvez vá só um agente cobrar alguma taxa. Tem pessoas construindo no meio da rua, e nada acontece. Eu estou vendo ausência do poder público. Uma certa ocasião, eu me alegrei quando li no jornal sobre uma lei que determinava que Juízes, promotores e Delegados deveriam residir no município, acho que foi uma lei pra inglês ver. E eu pergunto: como é que pode se manter a ordem num município, se as principais autoridades não moram na cidade? Se não sabem da realidade dessa cidade, são os funcionários TQQ, só aparecem na terça, na quarta e na quinta.
          Eu sei que determinadas pessoas vão ler esse texto e vão ficar aborrecidas comigo, pois que fiquem, mas saibam que eu estou expondo a realidade, e estou usando do meu direito de livre expressão para, pelo menos, me desabafar. Quem sabe não vou receber uma intimação por desacato a autoridade? É bem capaz! Mas os bandidos e ladrões estão soltos arrombando casas e roubando o que podem e pintando o sete. Já entraram na minha casa duas vezes, entraram na casa do seu Pedro e em outras por aí. Quando se vai fazer ocorrência, a polícia se nega a fazer e quando as vítimas batem no DPM, muitas vezes não são atendidas, ou quando são, dizem que não podem fazer nada. Eu tenho testemunha para afirmar o que estou falando. Eu acredito que eles se negam a fazer ocorrência que é pra dizer que o índice de violência na cidade é baixo.
          Os bares da beira do rio foram tirados, mas os barulhentos do som não respeitam, colocam o som no último volume com as piores músicas, obrigando todo mundo a ouvir, pensam, esses ignorantes que todo mundo tem o péssimo gosto deles. Mas, pra não dizer que não falei de flores, não quero só criticar. Quero parabenizar os policiais militares que estão envolvidos no Projeto PROERD - Projeto Educacional de Resistência às Drogas, que no município, conta com o apoio da prefeitura municipal. Esse projeto é de grande importância pois evita que muitas crianças entrem no mundo das drogas. Por esse projeto e por outros que igualmente visem o real desenvolvimento do nosso município, a cidade está de parabéns. Mas torno afirmar muito ainda tem que ser feito, e com urgência, pois legislar é preciso, criar mecanismos para que essas leis sejam cumpridas, é mais necessário, ainda.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

No tempo do delegado Perico Luz




Essa era a casa onde funcionava a delegacia de polícia de nossa cidade - década de 60/70 - época dos governos de Júlio Araújo e Sátiro Lopes da Luz. O delegado era o pai da dona Nazaré Luz, mais conhecido como Perico Luz, era um homem alto, meio calvo, de aspecto sério, muito determinado em suas decisões. O seu escrivão era o Sr. Carlos Rosa.
Uma certa vez, prenderam o seu Rosemiro, lá das bandas de Perseverança, lugarzinho, que aliás, toda semana matavam um e deixavam dois amarrados pra matar no outro dia. Não lembro o que ele aprontou, mas o certo é que o delegado Perico Luz determinou que o dito cujo fosse preso. Quando o prefeito Sátiro Luz ficou sabendo, veio até a delegacia, interceder por ele, pedindo ao delegado que o soltasse, mas este, muito brabo, em frente a delegacia, disse: Não solto, não solto! Tá preso, tá preso!
Mal ele sabia que oprisioneiro já não estava preso, pois havia tirado duas tábuas podres da parede da cela, e enquanto o delegado repetia que não soltava o preso, ele corria na estrada, dando adeus para o povo que assistia.
A parte esquerda da casa, servia de abrigo para as vítimas de tiros e facadas, geralmente das festas no interior da cidade. Depois que construíram a nova delegacia, nessa mesma casa, funcionava o hotel da tia Maroca, onde ela e alguns amigos íntimos brincavam dominó. Os vizinhos podiam ouvir as batidas das pedras na mesa. Quando ela estava muito envolvida no jogo, ficava aborrecida quando algum freguês chegava e pedia que ela lhe servisse um PF, a mesma dizia: Tu não tem mulher na tua casa? Não tá vendo que eu tô ocupada, ainda vem pra cá com essa estória de prato fiado!   

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Chegada do Telefone


 Por Pedro Paulo - Id 79966609 - Foto do acervo digital do IBGE

Nos anos 80, finalmente foi inaugurado, onde era o antigo campo de futebol, um posto telefônico em nossa cidade. Todos conheciam como o posto da TELEPARÁ, como era denominada a empresa antes de ser privatizada. Hoje, funciona no local o escritório da CELPA
para muitos adolescentes e jovens que nasceram e cresceram  na era da informática, período em que as tecnologias de informação e comunicação se aperfeiçoaram num rítimo acelerado, nem imaginam como era  dramático dar ou receber um telefonema, principalmente se estivesse chovendo. Mas, em fim, já era um grande avanço, na época, ter um posto telefônico na cidade.
Os telefonistas eram: A dona Terezinha Amaral, conhecida como Teca, e o seu esposo, Sr. Alcemir Pontes Bastos, além de uns poucos emissários que levavam os recados. Funcionava mais ou menos assim:
A gente ia para o posto, onde já estava uma fila de pessoas aguardando. Aí, quando chegava a nossa vez, ainda caía a ligação, e novamente o telefonista tinha que fazer tudo de novo. Mas quando dava certo, agente falava e todo mundo ouvia e, lógico, ficavam sabendo de tudo. Não podíamos falar baixo porque, muitas vezes, a ligação era ruim.
Outras vezes vinham chamar a gente em casa, e se fosse o namorado, os pais já ficavam atentos.
Eu fico pensando: como é que essa garotada da era digital pode imaginar que antes, para falar com alguem, era preciso entrar num posto telefônico e pedir para a telefonista fazer uma ligação para alguem para depois então ouvir a seguinte frase: Pronto, pode entrar na cabine 3. Isso depois de ter esperado de 30 a 60
minutos.
Hoje, tá muito, muito avançada a tecnologia de informação e comunicação. Com o celular, uma pessoa não apenas se comunica com outra pessoa, mas pode fazer inúmeras coisas como: tirar fotos, passar para o computador, fazer vídeos, gravar uma entrevista, acessar internet, ouvir músicas, e sei lá mais o quê.
E eu penso: e as telefonistas? E os postos telefônicos? As telefonistas tiveram que ingressar numa nova profissão, os postos telefônicos foram reformados e adequados para uma novo empreendimento.
É assim, tudo está em constante transformação no mundo.