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sábado, 16 de maio de 2009

No tempo da lamparina


Na década de 70, havia umas poucas tabernas na cidade: a do seu João Daibes, mais conhecido como Juca; a do seu Basileu e a do seu João da Mata, pelo menos essas são as que eu me lembro. As que ficavam mais perto de casa eram as duas últinas. Naquela época os produtos eram vendidos a retalho. A maneira como se arrumavam as mercadorias era totalmente diferende de hoje. As cebolas ficavam penduradas em réstias, bem ao lado ficavam os molhos de tabaco. Ao lado do balcão ficavam uns sacos grandes, cada um com um produto: arroz, feijão, milho e outros. O charque e o pirarucu vinham embalados em sacos de sarrapilheira.
Como eu era a filha mais nova, passava boa parte do dia caminhando para comprar tudo o que fosse preciso, inclusive o querosene.
Nessa época, não havia energia direta, na cidade. Contávamos apenas com o que agente chamava de motor de luz, que gerava energia das 18 às 21 horas, por isso, não podia faltar querosene para as lamparinas. Depois que completei 12 anos, comecei sentir vergonha de comprar querosene, pois agente tinha que levar um litro com um fio amarrado, para pendurá-lo no dedo. Mas se não comprasse, ficávamos no escuro, e depois que as tabernas fechavam, não tinha jeito. A luz piscava uma, duas e na terceira vez apagava de vez, e aí só restava ficar ouvindo cantiga de coruja e assovios de matinta pereira, e eu tinha um pavor delas.
Hoje, eu lembro de tudo isso com muita saudade, porque naquela época não tinha nada do que tem hoje: energia direta, telefone, computador, internet, nada de modernidade. Eram pouquíssimas as casas que tinham televisão, acho que a do prefeito, do vice prefeito e a do seu Pedro Sodré, mas nós eramos felizes. Havia tempo para conversar. Nossos pais sentavam na calçada, em frente das casa, enquanto brincávamos de roda, pira-alta, bandeirinha, mata-mata, cai no poço, etc. Eu lembro, eu sinto saudade. Todo mundo se conhecia e havia consideração, respeito e preocupação uns com os outros, é como se fosse uma só família.

6 comentários:

  1. Ester, seu relato é uma poesia!! Me senti dentro do Capim, como se naquela época estivesse aí... aproveite td isso pra trabalhar com os alunos, criar uma ponte entre o passado e o presente e ver como ela vai ficar.
    Abração.

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  2. professora ester, parabens seu post, realmente voce viveu esta época única, que meus filhos nunca irão sentir(é uma pena). Gostaria de parabeniza-la pela descrição, realmente me sentir emocionado e nostalgico com palavras tão verdadeiras. um abraço emocionado deste teu amigo.
    força garota, continue com esta revolução. quem diria que a menina que carregava querosene agora faz postagem na rede mundial de computadores, quanta mudança......

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  3. professora ester, parabens seu post, realmente voce viveu esta época única, que meus filhos nunca irão sentir(é uma pena). Gostaria de parabeniza-la pela descrição, realmente me sentir emocionado e nostalgico com palavras tão verdadeiras. um abraço emocionado deste teu amigo.
    força garota, continue com esta revolução. quem diria que a menina que carregava querosene agora faz postagem na rede mundial de computadores, quanta mudança......

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  4. Muito pequena eu era, mas ainda lembro dos sacos grandes ao lado do balcão e dos rolos de fumo no comércio do meu pai, no final dos anos 80.
    As brincadeiras todas, as casinhas feitas de palha e açaizeira no fundo do quintal...
    É como diz o poeta:

    "Ai que saudades que eu tenho
    Da aurora da minha vida
    Da minha infância querida
    Que os anos não trazem mais."

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  5. Professora Ester, seu texto é ao mesmo templo simples e profundo. Simples pelas palavras escolhidas e objetividade da narrativa e profundo pela capacidade de emocionar o leitor.
    Emoção que vem da memória afetiva de nossa infância, nunca fui em São Domingos do Capim, mas tenho certeza que conheci muitos comércios e cidades como a descrita por você.
    Parabéns!

    Marcelo Carvalho

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  6. amei simplesmente,show de bola esse blog,assim mato um pouco da saudade que sinto de São Domingos do Capim,cidade abençoada por Deus.

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